
"E o guarda-chuva ficou na grama, minúsculo e negro, como um inseto espezinhado. Já não se movia, nenhuma de suas varetas se movimentava como antes. Terminado. Acabara-se." (J. Cortázar)

É melancólico pensar no destinos dos guarda-chuvas nesta época chuvosa. Parece que as calçadas se tornam cemitérios de varetas retorcidas e tecidos esfarrapados, abandonados após sucumbirem à ventania.
Por vezes, sinto vontade de acolhê-los nos braços e apertá-los contra o peito, murmurando uma despedida tristonha e um agradecimento. Oh, pequeno companheiro, sentirei falta do seu conforto não tão eficiente. Desejo que misture-se às folhas secas, às flores caídas e às poças d'água, e que torne a cair como chuva.
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