terça-feira, 26 de novembro de 2013

Valsa da Meia-Noite




Os passos atravessando a porta soavam leves e calculados e havia todo um não sei quê de galanteria nos gestos. Tomou nota de cada pedaço daquela mulher. Dos olhos grandes e aquosos, franjados de cílios castanhos, as mãos úmidas se secando no pano de prato, os tantos grampos no
cabelo, as flores bordadas no avental. Do leve bambear em suas pernas, enquanto ela se apoiava à pia da cozinha.

Como se a visse pela primeira vez, um fantasma pintado de cores frias em meio à multidão descolorada, do qual era impossível de desviar os olhos.