terça-feira, 13 de março de 2012

Lugar especial

O cheiro de fumaça de cigarro não me agrada. Certamente, não agrada a ninguém. Mas é impossível não associar esse cheiro a certa memória.



Há um lugar que tornou-se, para mim, um "lugar especial". Quando penso nele, penso nas pequenas coisas que o compõem.

Verdade que o cheiro de fumaça de cigarro realmente não me agrada. Mas está impregnado à memória desse lugar, à memória das paredes sujas, os quadros cobertos de cartazes de espetáculos de comédia e sarais de poesia erótica, as recém-plantadas mudas de confetes, o café espresso, o jornal semanal e o papel que acaba de sair da máquina de cópia.

E essas coisinhas minúsculas - sons, cheiros e sabores - que compõem minha memória sobre esse lugar sempre sobrepõem-se às pessoas que fazem parte do cenário. Mesmo que elas sejam tão singulares. Elas têm um caminhar despreocupado, com seus mocassins sem meias, óculos escuros, cabelos mal cortados e roupas garimpadas em brechós. Essas pessoas sempre me parecem desimportantes frente aos cartazes, o jornal e o cheiro de fumaça de cigarro.

Mesmo que este me desagrade.

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Bem, é certo que não consta na lista de odores que me agradam, figurando entre o cheiro de terra molhada e o de pãozinho recém-assado.

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