Meu corpo é uma gaiola, que me impede de dançar com meu amor. Mas minha mente possui a chave.
Meu corpo é uma gaiola, que me impede de voar para longe. Numa realidade certa, talvez com um pouco de fantasia flutuando ao meu redor como a poeira que dança na luz, eu seria capaz de quebrar essa barreira feita de carne, sangue e ossos. Eu poderia deixar para trás as hastes opacas de minha gaiola, retorcidas pela força do espírito que clama pela liberdade.
Liberdade de esticar as asas, espraiá-las suavemente num movimento bonito e deixar que o vento as acaricie desde antes do momento em que eu permita que ele me leve até além de seu alcance. Alçar voo e correr os dedos pelas nuvens e subir tão alto que possa mergulhar nos rios leitosos da Via Láctea, com poeira de estrela grudando no meu cabelo.
Meu corpo é uma gaiola, e minha mente possui a chave. Mas o chão - oh, malvado chão -, levanta seus dedos e me agarra pelos calcanhares, me puxando de volta e me prendendo em sua dureza tão terrível quanto esta minha realidade.
Meu corpo é gaiola, mas minha mente possui uma chave. Quase inútil, essa minha chave, de correr pena no papel e escrever lugares bonitos e confortáveis, macios como nuvens e cheirando a biscoito de canela, com tons pastéis suaves que são amantes das cores fortes, escuras e amargas. Minha chave é quase inútil por que não sei como segurá-la. Ela escapa por entre meus dedos e vai embora, levando junto o calor da minha mão. Ela cai por entre as grades e se perde num abismo escuro.
Eu estou no abismo escuro, mas minha chave está perdida em algum canto e meu corpo é uma gaiola.

Amo ler coisas subjetivas junto de um desenho feio. Haha, sério, as pessoas subestimam o poder não-verbal em ser fabuloso não importando a técnica. É sincero, é admirável.
ResponderExcluirE o texto é muito bonito, ainda mais na minha própria interpretação que não entende muita coisa.
Oh, minha intenção desde o início! Claro que não era, mas você sempre coloca de um jeito que eu sinto ser a mais dura das críticas ao mesmo tempo que é o elogio mais poderoso de todos. Muito obrigada. E convenhamos, se acabássemos absorvendo plenamente todas as interpretações, aí sim, até mesmo o mergulhar em seus próprias idiossincrasias perderia a graça.
ExcluirSinta ele como um elogio mais overpower que o Madara edo-tensei. Embora, isolado, o desenho seja realmente feio pacas (ainda que a composição dele seja boa).
ResponderExcluirNão consigo falar idiossincrasias, acabo colocando um 'ti' automático na maioria das vezes. E é uma ótima palavra, não tenho sinônimo bom pra ela... achismo estaria muito errado. E sim, seria muito insosso ter a capacidade de interpretar de todos as formas - além de que saberíamos que as interpretações não são infinitas e seria uma bosta isso.
[É você na foto? Pois eu acho que é você! E não sou eu na foto, deve ser óbvio... mas eu tô procurando alguma aqui.]