terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Diários de Margarida

E estão indo muito bem.
Ou estavam. Tirei a foto acima poucos dias depois que as ganhei. E para desespero meu, logo antes de começarem a murchar.

O que chamou minha atenção foi que as folhas continuavam firmes. Verdes e rígidas (diferentes de umas pobres gérberas de vasinho, que tive uma vez). Um jardineiro gentil disse que eu tinha de cortar as flores murchas, e foi o que fiz. Elas foram prensadas entre as páginas de um dos meus livros favoritos, assim como queridos amigos que, mesmo depois de mortos, mantemos no coração; e usadas naquela minha composição insólita.
Logo não havia mais flores para cortar, e eu mudei a planta para um vaso maior. Depois de algumas semanas, porém, havia tantos, tantos botões, que eu mal podia esperar para vê-los abrir.

E eles estão se abrindo, um a um. Lenta e pensativamente, como quem leva muito tempo ponderando o próximo passo a dar. Talvez eu também esteja precisando ponderar meus próximos passos, por isso cultivo a ideia de preparar uma xícara de chá e me sentar lá fora, à espera de que todos os botões se abram. E, enquanto, tentarei não pensar muito na minha própria vida de flor de mercado.

7 comentários:

  1. Own. Margaridinhas adoráveis não são menos que as flores formosas de floricultura adquiridas 1R$ cada mudinha, que duram tão pouco que entendes como custam assim. Essa Margarida é uma verdadeira guerreira, a Joana d'Arc das plantas florescentes, que eu ciclos abrirá suas pétalas ao mundo mostrando que no comum possui seu maior encanto.
    Quanto a sua recusa de arrancá-las para as prensar nos livros... o Cazuza ficou cantando no meu ouvido "foi por amooooor o assassinato da flooooor" haaa haaaa! Eu ficaria tão feliz se alguém arrancasse essas margaridas e flores de rua para que eu enfeitasse meu cabelo do que se eu ganhasse um engradado de Heineken. Tão mais feliz!!
    Aliás, bela composição!
    PS: eu estou livre já faz uma semana e tal! Do vestibular e aquela coisa feia. Nem sei como é viver, fiquei até com vontade de estudar em alguns momentos...

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    1. Ahh, já arranquei muita florzinha de rua. Dar para a mãe, a professora, colocar num copo d'água, pelo prazer de uma flor na cômoda. Eu devo ser uma cuidadora de plantas muito hipócrita, pois também adoraria que alguém as arrancasse para enfeitar meu cabelo - sem dúvidas, mais do que gostaria de um engradado de Heineken (e foi o Led Zeppelin que ficou nos meus ouvidos, "someone told there's a girl out there with love in her and flowers... in her haaaair").

      Você também acha a primeira semana de liberdade um tanto inútil? Até fiquei com vontade de estudar também, mas só fiquei sentada ouvindo música, quase em estado de catatonia. E como foi o vestibular?

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  2. Sim! Não é delicioso? Não pr@ don@ da casa que eu roubava uma flor do canteiro. Ou duas... E justamente por ser uma cuidadora de plantas de todo tipo que eu me sinto na obrigação de botar flor no cabelo duzotro e no meu, algo que nunca faço. Nem o engradado de Heineken tenho. Vida dura. Acima de tudo, não tenho mais nenhuma música sobre flores que se encaixe no que falamos para quotar... ):

    Mais que inútil, é a semana de mofamento e tédio avassalador. Nem fiz ainda tudo aquilo que reclamava não ter tempo para fazer... contudo há a desculpa infalível: ano novo! Ah, o vestibular... até sonhei que saiu o resultado e passei pra Psicologia, mas ao menos já tenho uma vaga em Artes Visuais conquistada. Rezemos. Mas e o teu facebook?

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    1. Sente a obrigação, mas nunca faz? Talvez flores tenham tudo a ver com tédio, então. Ficar mofando num canto, umas florzinhas roubadas murchando no seu cabelo, alguma coisa alcoólica só porque sim, e o trabalho negligenciado pairando no ar como a música no rádio. Mas o ponto é justamente ficar sem fazer nada.

      Bem, rezemos pelo seu subconsciente ansioso. Quando sai o resultado? Ah, facebook... Tecnicamente, é como se eu não tivesse. Recebi a visita de um dos meus fantasmas do natal passado, que queria um jeito mais fácil de me encontrar, mas eu nem uso --'

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  3. Justamente, é isso mesmo! Brilhante sua capacidade de expressar o não-fazer com tal maestria. Deu-me vontade de desenhar essa imagem mental verbal que acabou de descrever. Quem sabe seja o estopim?

    Presumindo que meu subconsciente tenha salvação, então... e também pra ufsc, acho que saí pelo dia 10 como ano passado. Sim, percebi seu sumiço... por que as pessoas gostam de excluir seus feices? ): Tá que é uma bosta, mas dá pra conversar.

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  4. Oras, aproveite o tempo que tem e o desenhe! Seria triste deixar para a semana de mofo do ano novo que vem. Acho que acabei pensando numa imagem de um vídeo da Cibelle mas, pensando bem, não tem muito a ver - exceto pela expressão de tédio e a fumaça de cigarro pairando. Procure por "Um Só Segundo".

    Quando souber, deixe-me saber do resultado. Não que eu já tenha excluído algum facebook. A verdade é que só fiz há algumas semanas, e ainda não engatei a segunda marcha. Devo ser mais feliz no Twitter, sei lá - já que o Skype definitivamente me odeia. De toda forma, dá para me encontrar em (http://www.facebook.com/cafe.machado).

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  5. Eu sou capaz de deixar para nunca, mas não... Eu deveria desenhar, eu quero desejar e eu vou desenhar, mas... esse calor, esse abafamento, essa pressão baixa me deixam só na vontade de fazer nada. E eu ainda consegui ficar gripada. Tudo que eu faço, até ficar aqui sentada mexendo os dedos, é sofrível por sentir que vou desmaiar a qualquer momento.
    Adorei mesmo o "Um Só Segundo" e ainda mais a moça com cabelo azul que ilustra a música.

    Pode deixar, eu contarei mesmo se for má notícia - o que é muito mais provável, segundo minha intuição. AHÁ! Te adicionei e agora tu deveria fazer o favor de me aceitar... tá? Não consegui entrar bem no twitter, muito sem necessidade pra mim.

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