quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Aí vem o Natal

Chegou o Natal. Ou, pelo menos, a magia colorida e brilhante já começa a se esgueirar para os aspectos do nosso dia-a-dia.

São muitos os sinais que nos lembram a aproximação da data. Uma caixinha de doações no balcão da padaria, imagens na internet de cãezinhos enrolados em pisca-piscas, os vizinhos decorando as janelas, metade de um panetone sobre a geladeira, propagandas - vamos admitir! - adoráveis da Coca-Cola. Alguns podem não ser tão óbvios.

Estava outro dia na Rodoviária do Plano Piloto. É um lugar triste, estéril e barulhento. Talvez a única coisa por ali que remeta ao Natal nesta época é a pressa de algumas pessoas levando grandes sacolas de presentes e uma ocasional canção natalina, vindo dos autofalantes ironicamente muito baixos, velhos e cheios de estática. De resto, é uma grande construção de concreto, suja, lotada e caindo sobre nossas cabeças.

Exceto por esse outro dia. Na verdade, diferente do ar sempre abafado e cinzento, eu me surpreendi cercada de bolhas enquanto esperava pelo ônibus. Coloridas e efêmeras, que estouravam ao mais suave toque das pontas dos dedos. Estaria eu no lugar errado? Não, ainda estava naquele espaço feio e sufocante. Estaria então vendo coisas? Bem, muitos ainda seguiam em frente, sem sequer olhar para os lados; mas outros paravam, sorriam, estouravam uma bolha e iam embora.


Todas elas, pequenas e mágicas, saíam das mãos de um encantador e igualmente pequeno Papai Noel de plástico. Tentar compreender a engenhosidade do brinquedo que uma vendedora ambulante exibia mataria completamente com a magia da coisa, ainda mais depois que surgiu um alegre vendedor de algodão-doce colorido, como nos meus tempos de criança. Por isso, fiquei ali por muito tempo, observando-as serem estouradas pelos dedinhos ágeis de crianças, circularem ao redor do vendedor de algodão-doce ou subirem até se perderem na atmosfera.

Me virei por um momento para conversar com uma voluntária do Greenpeace e, quando me despedi da moça simpática e bem-intencionada, eles haviam desaparecido. Não havia mais máquinas de bolhas em formato de Papai Noel. Não havia vendedor de algodão-doce. Não havia mais nada. Exceto por um fiscal cuja expressão parecia lamentar ter de trabalhar num sábado à tarde, enxotando ambulantes atrevidos.

Assim, acabara aquela pequena bolha de magia que soubera se criar no meio de um vácuo estéril. Bem, pelo menos até um homem começar a fazer neve falsa usando dois pedaços de isopor.

3 comentários:

  1. Eu adoro esse seu jeito de encarar as casualidades da vida e tentar dar-lhes um pouco de charme e botar em palavras o que os outros não conseguem enxergar o que está escancarado na nossa frente. Afinal, essas coisas são realmente mágicas, não são? O que seria do centro da cidade sem trabalhadores informais com balões de bichinhos ou gorrinhos bregas? Um pouco mais chato, com certeza.
    Eu não fiz porra alguma no pré-natal e natal, não ganhei nada ou sequer montei árvore. Queria apenas ter enrolado alguém no pisca-pisca, quem sabe uma gatinha que podia adotar.
    Até não gosto dessas cores natalinas tão quentes quando se tá no verão, o papai noel deveria usar sunga e havaianas! Poderiam até fazer uma bela propaganda da coca-cola com isso, quem sabe até melhor... afinal o que queremos beber, com muito gelo, quando estamos morrendo de calor? Botar vermelho e verde com muito casaco é um péssimo trabalho de marketing.
    Enfim... eu me assustei com o seu comentário no nome.sem. Não que tenha sido ruim, foi bom ver que alguém acessa o lugar... Saudades de trocar PMs gigantes contigo. :(

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Se a gente para de olhar para as casualidades da vida e se foca apenas nas grandiosas, tudo fica muito chato com o passar do tempo. Mentira, minha vida é chata, vazia e eu só tenho essas coisas pequenas para me agarrar. Mas eu prefiro assim.
      Você também tinha a opção de enrolar o pisca-pisca em si mesma, moça, e ser sua própria árvore de Natal. Se a suposta magia natalina que nos empurram não te contagiasse, poderia pelo menos se sentir uma fadinha piscante. Tinker Bell! Mas adotar gatinhos também vale.
      Mas sabe. A roupinha do Papai Noel só é vermelha por conta da Coca-Cola (originalmente, a roupa do S. Nick era mais rústica). E se pensar bem, deve ter uma psicologia reversa naquelas propagandas. Aquelas cocas de garrafinha devem estar trincando com tanta neve! E eu sinceramente prefiro ver um urso polar bebendo a água preta do capitalismo do que um velhinho de sunga xD
      E ei! Estou sempre lá para trocar PMs ( 'o')/

      Excluir
  2. Gosto mais de nos ver como pequenas transgressoras do cotidiano, somos amelies da vida real encontrando o encanto em todo canto. Portanto, vidas menos chatas que das outras pessoas.
    Nah, foi um momento de inveja dum colega do ff.net ter sido enrolado em pisca-pisca. Ele estava tão brilhante! Mas ficaria melhor num cachorro ou gato ou outro bichinho fofo.
    "-ESQUILO!" cão, um
    Não é que meu irmão veio com a mesma história quando reclamei para ele das cores? Tá, fiquem com o vermelho, mas é do mal vestir velhinhos naquelas roupas aqui. Eu só sou hipócrita quando vejo uma coca com floquinhos de neve falsos dentro e quero comprar. E os ursos são bem fofões mesmo, mas um velho gordo de sunga é muito condizente com a realidade quando vou a praia.

    ResponderExcluir